TDAH

            Carlos tem 15 anos e seu desempenho escolar está abaixo da média. Sua mãe acredita que ele é pouco inteligente, limitado. Seu pai acha que é preguiçoso e se recusa a ver os estudos com seriedade. Carlos tem muitos amigos, fala muito durante a aula, não consegue responder a nenhuma questão que lhe é feita e simplesmente não consegue ficar parado. É pura agitação. Carlos é, também, bastante esquecido, tem dificuldade para seguir instruções ou terminar suas tarefas.

            Todos os anos, o rapaz tem dificuldade para passar de ano, mas dessa vez tudo indica que irá repetir. Os pais, então, decidem fazer uma avaliação neuropsicológica e o resultado os surpreende: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

            Este transtorno é definido como um transtorno do desenvolvimento do autocontrole que afeta essencialmente a capacidade de sustentar a atenção e de controlar os impulsos. As áreas do cérebro que comandam certas habilidades, como controle inibitório, planejamento, memória de trabalho e funções executivas de um modo geral, apresentam disfunções em seu funcionamento. Uma das causas pode ser a diminuição de dopamina nas sinapses das células cerebrais, chamadas neurônios.

            Crianças e adolescentes com este transtorno são frequentemente vistos como burros, incapazes de aprender, bagunceiros, desorganizados. Nada mais injusto e equivocado. Indivíduos com TDAH podem apresentar níveis de inteligência e compreensão bastante altos, e normalmente apresentam, porém, sua capacidade de sustentar a atenção e controlar os impulsos está prejudicada.

            Mesmo após o diagnóstico, é bastante comum escutar que tais pessoas não conseguem prestar atenção a nada. Muito pelo contrário. Elas prestam atenção a tudo. Porém, não conseguem focar a atenção em nada e isso é que faz toda a diferença.

            Para conseguirmos aprender, precisamos da nossa memória. Esta, porém, só funciona se existir um foco de atenção no objeto em questão. Se a atenção não está focada, a memória não trabalha e o aprendizado não se concretiza. Simples assim.

            Carlos não consegue responder a nenhuma questão que lhe é feita pela professora, não porque não saiba a resposta, mas sim porque ele nem ao menos escuta o que lhe foi perguntado.

            Estima-se que em uma sala com 30 alunos, pelo menos um apresentará TDAH. Em 50% das crianças com este transtorno, os sintomas persistirão enquanto adultos.

            O tratamento para o TDAH envolve uma abordagem múltipla, com intervenções neuropsicológicas, psicofarmacológicas, psicossociais e psicoterapêuticas.

Há vários medicamentos indicados para o TDAH, porém, a reabilitação cognitiva pode ser um forte aliado nesta luta contra o déficit de atenção e a hiperatividade, trabalhando com a atenção, memória, flexibilidade, planejamento, controle inibitório e outras funções executivas.

Enquanto a medicação age imediatamente no cérebro, a reabilitação estimula as funções cognitivas para que, mais tarde, o medicamento possa se tornar prescindível.

O profissional responsável pelo tratamento sabe como estimular as áreas que apresentam problemas em seu funcionamento e utilizar estratégias para minimizar o efeito inconveniente do transtorno.

            Muitos pais se sentem frustrados por acharem que seus filhos são menos inteligentes ou estão fadados ao fracasso. No caso do TDAH, nada está mais longe da verdade. Adolescentes como Carlos têm as mesmas chances que seus colegas que não apresentam o transtorno. Basta que se busque um diagnóstico correto e o melhor tratamento possível.

MEUS LIVROS NAS MELHORES LIVRARIAS

, TDAH   , TDAH     , TDAH  , TDAH  , TDAH  , TDAH , TDAH